terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Maria socorre o Seus devotos que se encontram no Purgatório

Os devotos da Santíssima Mãe são muito felizes, porque não somente Ela os ajuda quando estão em vida, mas são assistidos e consolados pela Sua proteção também no Purgatório. Naquele lugar as almas não podem ajudar-se sozinhas e precisam ainda mais de alívio, porque são mais  atormentadas, por isto a Mãe de Misericórdia se empenha muito mais a socorre-las de quando estavam na terra.

A Mãe Divina disse a Santa Brigida: eu sou a Mãe de todas as almas que se encontram no Purgatório e intervenho continuamente com as minhas orações para diminuir as penas que merecem pelas culpas cometidas durante a vida delas. As vezes a piedosa Mãe nem nega de entrar naquela santa prisão para visitar e consolar as Suas filhas aflitas. Nos Provérbios está escrito: "Passei nas profundidades dos abismos". São Boaventura atribui este pensamento a Maria e explica: "Eu penetrei no fundo daquele abismo, isto é, o Purgatório, para aliviar com a Minha presença, aquelas almas santas". Diz São Vicente Ferreri: "A Madona é tão cortez e boa com quem sofre no Purgatório e intervém continuamente doando a elas conforto e alivio!".

Um dia, Santa Brigida ouviu Jesus dizer à Mãe: "Tu és Minha Mãe, és a Mãe da Misericórdia, és a consolação daqueles que se encontram no Purgatório". A Beata Virgem disse a Santa Brigida que como um pobre doente, abandonado e aflito, com algumas palavras de conforto se sentem reviver, assim as almas se consolam também somente em ouvir o nome da Madona.

Maria não somente consola e ajuda os seus devotos do Purgatório mas com a Sua intercessão obtém a liberdade para eles. Escreveu Gerson e o confirma Novarino dizendo de ter lido nas obras dos Autores importantes que Maria no momento da Sua gloriosa Assunção pediu ao Filho a graça de poder conduzir com Si todas as almas que naquele momento se encontravam no Purgatório. São Benardino de Siena confirma com absoluta certeza que a Beata Virgem tem a faculdade, através da oração e aplicando também os Seus méritos, de liberar as almas do Purgatório e particularmente os Seus devotos.

Refere São Pedro Damião que uma mulher de nome Marzia, morta já da algum tempo, apareceu a uma sua amiga e lhe disse que o dia da Assunção de Maria tinha sido liberada do Purgatório da Rainha do Céu junto a tantas outras almas. O mesmo confirma São Dionísio Cartusiano pela festividade do Nascimento e da Ressurreição de Jesus Cristo. O Santo afirma que em tais dias Maria desce no Purgatório acompanhada da fila de Anjos e libera muitas almas daquelas penas. Novarino pensa que isto aconteça em qualquer festa solene da Santa Virgem.
 

É conhecida a promessa de Maria ao Papa João XXII. Em uma aparição lhe ordenou de fazer conhecer a todos que aqueles que tivessem levado o sagrado escapulário do Carmo, teriam sidos liberados do Purgatório o sábado depois da morte deles. Refere padre Crasset que o Pontífice o declarou e depois foi confirmado por Alessandro V, por Clemente VII, Pio V, Gregorio XIII e Paolo V.

A Beata Virgem encarregou frei Abbondo de levar uma mensagem da Sua parte ao Beato Godofredo: "Diga a frei Godofredo que progrida nas virtudes, assim pertencerá ao Meu Filho e a Mim. Quando a sua alma deixará o corpo, não permitirei que vai em Purgatório, mas a pegarei e a oferecerei a Jesus". Se desejamos ajudar as almas santas do Purgatório, oremos sempre a Santa Virgem por elas e em particular com o Santo Rosário que lhes propicia um grande alivio.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Os Méritos da Cari­dade para o alívio e libertação das santas almas so­fredoras do purgatório


São João Crisóstomo aconselhava, numa exorta­ção, uma maneira de aliviar o sofrimento da sauda­de dos mortos, de um filho querido que a morte arre­batou, de um ente, enfim, que vimos partir para a eternidade, deixando-nos saudosos. Diz o Santo Dou­tor: “Perdeste um filho querido e não sabeis o que fazer para testemunhar a vossa dor. Quereis ser útil ainda ao vosso filho? Nada mais simples. Assiste a um coerdeiro pobre. Tomai um pobre para socor­rer. Dai aos pobres o que desejaríeis dar ao morto querido que chorais. Não tereis perdido o herdeiro do céu e arranjareis um coerdeiro na terra, que é o pobre. Em vez de uns miseráveis bens temporais que havíeis de deixar para um filho, lhe dareis a he­rança da posse de Deus no céu nos bens eternos. Eis como podeis socorrer vossos entes queridos muito mais do que se estivessem neste mundo”.
Ordena a admirável e santa Regra de São Bento que quando morra um monge, durante trinta dias se ofereçam por sua alma o Santo Sacrifício e a ração de alimento que lhe pertencia seja dada aos pobres.
Que bela tradição! Sejamos caridosos para com os pobres da terra o apliquemos o mérito desta cari­dade para o alívio e libertação das santas almas so­fredoras do purgatório. Pratiquemos a dupla caridade.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Ai! Como são esquecidos os mortos!

Quem se lembrará de nós alguns anos após a nos­sa morte? Talvez uma lembrança vaga, uma evocação de saudade muito apagada. E como somos orgulho­sos hoje! Tanto nos fere a mágoa um esquecimento mesmo involuntário! Felizes os que se desiludem e se desapegam das amizades e vanglorias da terra an­tes que chegue a Mestra e Doutora da Vida — a Morte!

Como se compadecem todos dos enfermos! Que carinho e solicitude e mil sacrifícios em torno do lei­to de um pobre doente que geme! Porém, veio a mor­te. Pranto, homenagens sentidas, flores, túmulos, necrológios, e... esquecimento. Hoje afastam a idéia da morte como se fôssemos todos imortais. É mis­ter esquecer os defuntos, deixá-los no túmulo, evitar esta preocupação doentia da morte e da eternidade.

Morreu, acabou-se! Vamos rir, vamos dançar e cantar. Deixemos que a vida corra alegre e feliz. Não pensemos mais na morte e muito menos em mor­tos. Não é assim que fala e age o mundo louco e ma­terialista de hoje?

Ai! Como são esquecidos os mortos! O materia­lismo estúpido não compreende nem a beleza, nem a consolação, e o culto da memória dos mortos como o tem a Igreja católica. Para nós, eles não morreram, mudou-se-lhes a condição da vida: Vita mutatur, non tollitur!

sábado, 28 de dezembro de 2019

Santa Margarida Maria e as três Almas do Purgatório

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"No dia primeiro do ano, Santa Margarida Maria rezava por três pessoas recentemente falecidas. Duas religiosas e um secular. Nosso Senhor lhe apresentou as três almas, dizendo-lhe: Qual das três queres salvar primeiro, minha filha?
— Senhor, escolhei Vós mesmo, segundo o que for para vossa maior glória.
Então Nosso Senhor escolheu a pessoa secular, dizendo que as religiosas tiveram nesta vida muito mais graças e meios para expiar os pecados pela observância da Regra, e que o secular não havia recebido tantos privilégios e favores... Os ignorantes, os pobrezinhos, os humildes cheios de boa vontade e que não receberam de Deus tantas graças e meios de se santificar como as almas consagradas a Deus, terão naturalmente muita escusa no Tribunal divino e bem aliviado lhes será o purgatório pela divina misericórdia.
Os religiosos meditem como em diversas aparições particulares Nosso Senhor revela quanto pune na outra vida a falta de observância da Santa Regra e como esta Santa Regra facilita a expiação da pena temporal neste mundo e abrevia, senão livra a alma consagrada do purgatório. A observância regular é um meio poderoso de santificação, uma grande penitência que enche a alma deméritos.
Por um pouco de sacrifício de quantas penas não se livram na outra vida os religiosos fiéis à santa Regra. E como devem tremer as almas consagradas ao pensarem nas contas mais rigorosas que hão de dar a Deus pelo número tão grande de graças escolhidas que receberam e às quais talvez não tenham correspondido."

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Consolações do Purgatório

Então há no purgatório alegrias e consolações? É possível que em meio de tanta dor, de tão horríveis suplícios como os da pena do dano e do fogo, haja ainda um raio de luz, uma alegria, uma consolação para as pobres almas?

Sim, porque o purgatório é a pátria da justiça rigorosa, mas o é também da infinita misericórdia de Deus. Já não é uma grande misericórdia Deus nos reservar um lugar de expiação além-túmulo? Purifi­car-nos misericordiosamente para nos tornarmos dig­nos de sua eterna Presença? Ó, sim, o purgatório é uma misericórdia de Nosso Senhor. E como todas as obras da divina misericórdia, há de ter a unção e a doçura da Eterna Bondade. Quanto nos apavora a Justiça divina naquelas chamas expiadoras e que terror para nossa alma saber o que nos espera depois desta vida! Todavia, console-nos a idéia de que há no purgatório consolações que excedem a todas que pos­samos ter nesta vida. É um tormento e uma felici­dade sem par. Um mistério que nos será desvenda­do mais tarde. Alguns autores insistem muito no sofrimento do purgatório e nada falam das alegrias e consolações. É mister guardar um justo equilíbrio.

Nem transformar o purgatório num verdadeiro in­ferno, nem fazer dele o paraíso. É um lugar de expia­ção e de tormentos horríveis, não há dúvida, mas há nele a doce esperança da salvação, esperança acom­panhada da certeza absoluta de um dia chegar à pos­se de Deus na Bem-aventurança. E isto não é uma felicidade sem par? Quando São Francisco de Assis soube que era um predestinado e viu garantida por revelação do céu a sua glória, teve uma alegria tão grande, que nenhuma linguagem humana o poderia traduzir. Que não será a alegria das pobres almas na certeza de serem predestinadas?

São Francisco de Sales, cuja doutrina é um bál­samo suavizante das almas, fala das alegrias e con­solações do purgatório. Escreve o melífluo Doutor: “A maioria dos que temem o purgatório é muito mais por interesse e amor de si mesmos do que pelo inte­resse de Deus. E daí vem que falam ordinariamente só das penas daquele lugar e nunca falam da felici­dade e da paz que desfrutam as almas que lá estão. É verdade que os tormentos são extremos, e as maio­res e mais terríveis dores desta vida não se podem comparar a eles, mas também as satisfações interio­res são tais e tantas, que nenhuma prosperidade nem alegria da terra existe que a elas se possam igualar. Si é uma espécie de inferno quanto à dor, é um pa­raíso quanto à doçura que a caridade difunde no co­ração. Caridade mais forte do que a morte e mais poderosa do que o inferno. Feliz estado mais dese­jável que temível, pois suas chamas são chamas de amor e de caridade. Terríveis penas, sim, pois elas retardam a hora da visão de Deus, e de amar a Deus e louvá-lo e glorificá-lo por toda eternidade”[1].

Eis aí o tormento e a alegria das almas do pur­gatório.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Livramento das Almas do Purgatório

O quarto desejo do Coração de Jesus 
é o livramento das almas do Purgatório
Almas queridas de Jesus, almas muito amadas que Ele vê sofrer, e que, em respeito a Sua justiça, ainda não pode livrar!
Estas almas chamam-nO, desejam-nO, dizem-Lhe a cada instante: “Quando Vos veremos, Senhor?… E choram menos pe­las dores que experimentam que por se verem separadas de Jesus! Parece-me, dizia uma Santa, estar vendo Jesus que estende para mim uma das Suas mãos, dizendo-me: “Es­tas pobres almas devem-me orações, missas mal ouvidas, mortificações, esmolas que de­veriam ter feito… Satisfazei por elas”.
Sim, Jesus, quero começar hoje mesmo.
“Darei, de tempos a tempos, uma es­mola pelas almas do Purgatório”.
Exemplo
Santa Margarida Maria recomendou, vivamente, em suas instruções, o seguinte: “À noite, dareis uma voltinha pelo Purgatório, em companhia do Sagrado Co­ração, consagrando-Lhe tudo o que houverdes feito, e pedindo que Se digne aplicar os Seus merecimentos às santas almas que padecem. E ao mesmo tempo lhes pedireis também, queiram interpor o seu poder para vos alcançarem a graça de “viver e de morrer no amor e fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, correspondendo aos Seus desejos de [amor]”. Noutro escrito que deixou, lê-se: “Numa noite de Quin­ta-feira Santa, tendo eu alcançado licença para passá-la diante do SS. Sacramento, estive uma parte do tempo como cercada destas almas pobres: e Nosso Senhor disse-me que me dava a elas todo este ano, para lhes fazer todo o bem que pudesse. 
Desde então, vem elas ter muitas vezes comigo; e não lhes dou outro nome senão o de minhas “amigas penadas”. Eu pedia em fa­vor delas sufrágios e aplicações de Missa dizendo: “Muito mais obrigada vos fico pelo bem que lhes pro­curais do que se a mim mesma o fizésseis”. Outras vezes, regozijava de terem saído livres pelas orações e penitências que por elas fizera: “Esta manhã, domingo do Bom Pastor, duas das minhas boas amigas que so­frem, vieram dar-me um adeus; porque hoje o sobe­rano Pastor as recebia no Seu redil da eternidade, com outras que iam entoando cânticos de alegria que se não podem explicar”. Estes piedosos sentimentos de Sta. Mar­garida Maria se manifestavam também na mesma época numa Religiosa de alta virtude. Maria Vitória da Encarnação, do Convento das Clarissas da Bahia, cuja vida foi escrita pelo arcebispo D. Sebastião Monteiro. 
Era a santa freira fervorosíssima devota dos mistérios da Paixão de Nosso Senhor e, às sextas-feiras, fazia a via sacra, carregando uma pesada cruz e levando à cabeça uma coroa de espinhos a disciplinar-se de modo que o sangue esguichava sobre as paredes ou corria pelo pavimento; assim, às vezes, a se arrastar de joelhos, ia até o lugar das sepulturas e se prostrava sobre elas orando. 
Tinha ainda uma particular devoção ao arcanjo São Miguel como o defensor das almas do Purgatório, para cujo alívio fazia muitos sufrágios e oferecia todas as obras de humildade que praticava. Por isso, escreve o seu ilustre biógrafo, elas a procuravam com toda a confiança: indo, uma vez, altas horas da noite, ao coro fazer oração, ouviu lastimoso gemido de um defunto que, por chegar tarde à igreja, ficara por enterrar: co­brando ânimo, perguntou o que queria, e ele respondeu, pedindo mandasse fazer sufrágios de que muito preci­sava; satisfez o pedido no dia imediato, e o defunto, mais tarde, veio agradecer-lhe. Uma noite, viu a alma de uma sua serva que lhe falava, quando a companheira que dormia perto, despertando e vendo um clarão em sua cela, ao tempo em que lhe ouvia a voz, gritou assustada, fazendo acordar toda a comunidade. 
Viu, de outra vez, a alma da religiosa Madre Luzia, que subia ao céu. De uma feita, acabada a sua oração no coro, retirava-se, mas a cercaram de tal sorte as almas, que ficou a orar até romper a aurora. Como para mostrar que não era isso feito de pura imaginação, permitiu Deus que as almas lhe imprimissem como três dedos de fogo num ombro, e viram-nos várias Religiosas, a quem disse por graça: “As minhas amigas me cauterizaram; não quero mais brinquedos”. 
Por outro lado, elas lhe faziam carinhos e a serviam: em noite de excessivo calor, uma freira que falava à porta da cela, sentiu uma suavíssima viração e, não podendo explicar, perguntou donde vinha. Madre Vitória respondeu: “São as minhas amigas que me estão abanando”. — “Oh! que consolação é a de ver uma alma em salvação. Veio aqui, nestes dias, uma tão linda e resplandecente, que excedia a luz do sol”. E, valendo-se delas, conseguiu a muitas pessoas acharem o perdido, saberem de pessoas ausentes muito longe ou de coisas futuras que se não poderiam conhecer naturalmente, e curarem-se prestes de moléstias antigas e graves. Madre Vitória morreu em 1715, numa sexta-feira, às 3 horas da tarde, dando-se, nesta ocasião e depois, por muitas vezes, fatos extraordinários que confirmaram a reputação de santidade que já gozava em sua vida, e que tem uma longa e detida comemoração na Crônica da Ordem Seráfica.


(Excertos do livro: Mês do Sagrado Coração de Jesus - Padre José Basílio Pereira - 2a. edição, 1913)

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Os santos e as almas mais abandonadas

Muitos Santos tiveram esta devoção. Santa Ca­tarina de Genova, Santa Catarina de Sena, Santo Afonso de Ligório, São Francisco de Sales e princi­palmente o grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo. Este grande coração, cuja vida se passou a ajudar os abandonados e infelizes da terra, por este mesmo instinto divino de caridade se voltava para as almas abandonadas e sofredoras do purgatório. Era a sua grande devoção socorrer as almas mais abandonadas.

Uma piedosa serva de Deus, Irmã Maria Denise da Visitação, e que no século se chamava Mme. Martignat, pertencente a família da nobreza, ao invés de encomendar a Nosso Senhor a alma dos pobrezi­nhos, recomendava a alma dos ricos e dos grandes da terra. Estranharam isto e ela dava as razões: “São às vezes as almas mais abandonadas e as que tem mais necessidade de sufrágios. Passaram uma vida folgada, não fizeram muita penitência e sabe Deus que terrível purgatório não lhes está reserva­do, se conseguiram se salvar pela Divina Misericór­dia”. E tinha razão. Além do mais, depois das pom­pas fúnebres nas quais entra muita vaidade da fa­mília, às vezes segue-se um esquecimento e abando­no completo do pobre morto. Oremos muito pelas almas abandonadas, porque elas não deixarão de pe­dir por nós quando libertadas por nossos sufrágios. Para a Igreja nunca seremos almas abandonadas, é verdade.

A Igreja, nossa Mãe, só ela nunca esquece e cada dia sem cessar, em milhares de altares em toda ter­ra, lembra, ante a Hóstia divina, os mortos. — Me­mento! Memento! Lembrai-vos, Senhor, daqueles que nos precederam com o sinal da fé e agora descansam no sono da paz. Nós Vos suplicamos, Senhor, dignai- vos concedê-la a estes e a todos que descansam em Jesus Cristo Nosso Senhor.

Que tocante oração! Só para a Igreja os mortos não são esquecidos.

Tanta lágrima, tantas flores, tantos suspiros em alguns dias e meses. Depois... o frio e duro esqueci­mento. Dura lei! É verdade, não havemos de chorar a vida toda os nossos mortos, e a esperança cristã nos diz, no Prefácio da Missa, dos defuntos que a vida para eles não se acaba, muda-se — Vita mutatur, non tollitur. Eles, os nossos mortos, vivem no seio de Deus. E a maioria deles expia nas chamas do purgatório. É uma verdade terrível e consoladora. E por isto nosso esquecimento é grave e cruel.

Que para nós não haja almas abandonadas! Es­tejam todas em nossa lembrança e em nossos sufrá­gios. Depois da morte veremos quanto nos foi pro­veitosa esta bela devoção e este ato generoso de caridade.

Imitemos os Santos, que acudiam generosamente as almas mais abandonadas.